
Márcia Catunda eleita Jornalista Destaque da Semana pela ACEV
Homenagem jornalista destaque.
Márcia Catunda é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC) desde 2014 e tem especialização e mestrado na área de Educação pela Uece.
Apaixonada por ler e escrever, sabia desde o tempo de colégio que a profissão que iria seguir envolvia trabalhar com palavras. “Fiquei na dúvida entre Jornalismo e Letras,fiz Jornalismo por considerar uma área mais abrangente, mas ano passado também terminei Letras”.
O objetivo principal era ser repórter de jornal impresso, mas a vida a levou para outros caminhos. “Durante a faculdade conheci a área de assessoria de comunicação e me apaixonei. Quase todos os meus estágios e empregos foram nessa área, inclusive o atual”, pontua. Atualmente Márcia trabalha na assessoria de comunicação de unidades de saúde geridas pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH).
A profissional também é reconhecida pelo trabalho com divulgação de vagas de emprego na área da comunicação, fazendo o networking entre profissionais e recrutadores. “Comecei divulgando em grupos no Facebook até ser convidada para assumir um blog de empregos em 2012”. Hoje ela assina uma coluna sobre carreiras no portal GC Mais,do Grupo Cidade de Comunicação.
E não para por aí. Toda essa trajetória gerou reconhecimento e a jornalista foi convidada a ingressar na diretoria da Associação Cearense de Imprensa (ACI). “Comecei como diretora de comunicação,depois fui integrante do Conselho Fiscal e atualmente sou vice-presidente da entidade. Tenho muito orgulho em poder colaborar com meus colegas de profissão”. Além da ACI,ela também integra o Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e é professora em cursos profissionalizantes.
Conheça mais sobre Márcia nesta entrevista exclusiva para o Notícias ACEV:
1. Quando você percebeu que o jornalismo era o caminho que queria seguir?
Eu sempre gostei de ler e escrever, era apaixonada pelas aulas de Redação e Língua Portuguesa no colégio e cheguei a ser a única aluna a tirar 10 em uma redação em toda a sala. Eu sabia que queria trabalhar com escrita, então fiquei entre Jornalismo e Letras. Na época optei por Jornalismo por considerar uma área mais abrangente, mas depois de alguns anos fiz Letras também. Queria ser repórter de jornal impresso, mas na faculdade conheci a área de assessoria de imprensa e me apaixonei e atuo até hoje.
2. O que mais te motiva na missão de comunicar e informar?
Ter a ciência de que informação bem apurada salva vidas, especialmente na saúde, área que atuo como jornalista atualmente. Vimos isso na pandemia, muitas dúvidas sobre o vírus e o jornalista diariamente buscando fontes para prestar esclarecimentos à população. Além disso, também dar voz àqueles muitas vezes esquecidos ou negligenciados. Muitas questões são resolvidas mais rapidamente quando são abordadas na imprensa justamente porque ganham espaço e despertam a atenção, porém é importante saber selecionar o que ou quem merece de fato esse espaço.
3. Qual reportagem ou cobertura marcou mais a sua trajetória até hoje?
Sou jornalista em unidade de saúde e tive a oportunidade de registrar o momento que um pai reencontrou o filho que estava desaparecido há um bom tempo e achou que ele tinha morrido. Na verdade, o rapaz estava internado na unidade, sofreu maus tratos na rua e isso afetou a memória. Graças ao trabalho incansável da equipe de saúde, conseguiram localizar a família
4. Para você, qual é o verdadeiro papel do jornalista na sociedade?
Nos tempos atuais, atuar no combate à desinformação e/ou fakes news, fiscalizando poderes e dando voz àqueles que muitas vezes não são ouvidos, colaborando para uma sociedade mais justa e democrática. Não à toa, o jornalismo foi considerado o “quarto poder” por pesquisadores da área, pois é um agente fiscalizador dos outros poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
5. Como você equilibra sensibilidade e responsabilidade ao contar histórias reais?
Praticando a empatia e a humanização. Sempre penso: “Se eu fosse a pessoa envolvida na história, como gostaria que ela fosse relatada para quem não me conhece?”. Na comunicação, tão importante quanto saber falar, é saber ouvir. Busco deixar o personagem o mais relaxado possível. Ao final, eu digo: “Muito obrigada por me ceder o seu tempo e por me contar a sua história, ela com certeza vai inspirar outras pessoas”.
6. Quais temas você considera mais importantes de serem levados ao público atualmente?
Como trabalhador da informação, aqueles que envolvam o senso crítico e a consciência do cidadão, indo além da superficialidade. Temas atuais e que fazem parte da rotina do trabalhador como inteligência artificial, além de política, saúde, mercado de trabalho, meio ambiente e direitos humanos. Porém, todo tema ganha relevância dependendo da forma de como for abordado, daí que entra a nossa responsabilidade como comunicadores.
7. Como a comunicação pode transformar vidas e gerar consciência social?
Quando a informação chega ao cidadão de forma simples, acessível, mas ao mesmo tempo consegue engajar. Como exemplo podemos citar as ações de vacinação, muito além de divulgar locais e horários, mas abordando a importância do uso da vacina, principalmente quando é questionada por lideranças políticas.
Outro exemplo são pautas de serviços, certa vez divulguei serviços de odontologia pelo SUS e soube depois que os atendimentos quase que triplicaram justamente porque a informação chegou a quem precisava e até então não tinha conhecimento sobre ela. O mesmo vale para pautas em ONGs e movimentos sociais, O jornalismo é uma responsabilidade e um compromisso social, ele ajuda a esclarecer o que não está tão esclarecido.
8. Quais foram os maiores desafios que você enfrentou na carreira jornalística?
Um dos maiores desafios que enfrentei como recém-formada e que perdura nos dias atuais é o mercado de trabalho, que está cada vez mais escasso de vagas e também precarizado, com alta carga de trabalho, acúmulo de função e salário baixo.A queda do diploma contribuiu para isso, Além disso, a profissão de “multimídia” que querem implantar com funções que são atribuições de jornalistas, mas sem exigência de diploma.
Inclusive a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ingressaram ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei que cria essa nova profissão. No ofício profissional, gestão de crises e também o acesso a histórias que carregavam forte peso emocional. Inclusive, recomendo a todo jornalista que faça terapia e tenha cuidado com a saúde mental.
9. O que mudou no jornalismo desde o início da sua trajetória até hoje?
A tecnologia, o uso da inteligência artificial e o surgimento de novos meios de comunicação, bem como a forma de consumir notícias. A informação passou a circular mais rapidamente, então as pessoas têm mais opções de acesso à informação, entretanto sem filtro, consumindo muitas vezes informação desnecessária e às vezes até falsa. Diante disso, o trabalho de apuração do jornalista passou a ser mais desafiador tanto devido às fakes news, e também devido ao tempo, pois ele tem que apurar da forma mais rápida possível porque o concorrente pode sair na frente, porém essa pressa pode comprometer a qualidade da notícia.
Na faculdade, tive disciplinas de radiojornalismo, depois de 10 anos de formada participei de uma banca de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que abordava podcast, algo que nem sequer existia na minha época de estudante. Outra questão é o surgimento dos produtores de conteúdo e também o “jornalismo colaborativo”, ou seja, quando telejornais utilizam vídeos enviados pelos próprios telespectadores, por exemplo. Sendo assim, ampliou o acesso à informação, mas também essa diversidade colabora para a desinformação.
A população passou a ter mais opções, porém a responsabilidade sobre os critérios em relação ao consumo dessas notícias é preocupante a partir do momento em que o cidadão prefere acreditar em uma informação veiculada por uma pessoa aleatória que não tem formação naquela área de atuação, uma informação que é veiculada sem pesquisa, estudo e rigor, apenas para gerar engajamento e é algo que inclusive profissionais da saúde sofrem também. É preciso saber selecionar quem merece o seu tempo e a sua audiência.
10. Como você enxerga a responsabilidade de ser uma mulher em posição de destaque na comunicação?
Como vice-presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), é uma honra e uma grande responsabilidade, afinal é uma posição de liderança. Ser dirigente de uma associação ou sindicato é ser representante de toda uma categoria e buscar melhorias para ela. Em tempos em que cada vez mais mulheres são silenciadas, é um ato de resistência.
Sei também que muitos jornalistas me conhecem devido ao meu trabalho de divulgação de vagas de emprego, o que pra mim é uma imensa satisfação por conseguir ajudar uma pessoa a sair da fila do desemprego. Tenho muito orgulho da minha trajetória e de tudo que construí até aqui, vivendo e aprendendo. É uma grande responsabilidade saber também que há pessoas que se inspiram em mim, é mais um motivo para seguir em frente, mantendo a humildade e os pés no chão.
11. Qual conselho você daria para jovens que sonham em seguir carreira no jornalismo?
Escute dicas de pessoas que estão atuando na área, ouça várias pessoas, tanto aquelas que começaram há pouco tempo como quem está há mais tempo na jornada para fazer um comparativo e tirar suas próprias conclusões. Se possível, ouça conselhos de quem está na redação como quem está na assessoria de comunicação.
Saiba que não existe glamour, mas trabalho árduo e que muitas vezes não tem hora pra acabar, incluindo em finais de semana e feriados. Caso decida ingressar na profissão, aproveite as possibilidades já desde o primeiro dia de faculdade, ingressando em projetos de extensão, participando de eventos de comunicação, mantendo bom relacionamento com professores e colegas de classe.
12. O que significa, para você, ser reconhecida como uma jornalista destaque?
Acredito que esse reconhecimento vem, principalmente, da questão de eu buscar ajudar os colegas de profissão, seja sugerindo pautas, fontes como enviando vagas de emprego e sendo ponte entre candidatos e recrutadores, ou seja, uma questão de postura e,ao mesmo tempo, de empatia e sensibilidade algo que parece estar cada vez mais escasso atualmente. Em uma profissão em que relacionamento é a base, é uma grande satisfação ter esse reconhecimento, principalmente por saber que tem vários colegas de profissão que também merecem por tudo que construíram até aqui. Estou feliz e honrada pelo espaço e por poder contar um pouco mais sobre a minha trajetória, é um sentimento de que estou no caminho certo.
13. Como você gostaria que o público lembrasse da sua contribuição para a comunicação?
Tem uma frase de Maya Angelou que gosto muito que diz: “As pessoas podem não lembrar exatamente o que você fez, ou o que você disse, mas elas sempre lembrarão como você as fez sentir”. Então, espero que o sentimento de que eu fiz a diferença na vida daquela pessoa,seja através de uma informação ou história divulgada ou de uma palavra de conforto, prevaleça. Afinal, cargos são temporários, mas a essência permanece até o fim da vida.
14. Existe algum tema ou causa que toca especialmente o seu coração como jornalista?
Histórias que envolvam crianças ou animais sempre me tocam bastante,assim como a mobilização em torno de uma pessoa que está passando por uma grande dificuldade. Nada melhor do que histórias com finais felizes.
15. Qual mensagem você deixaria para quem acredita no poder da informação feita com ética e verdade?
Se você não é jornalista, mas é um profissional que busca falar de um tema baseado em pesquisas científicas, estudos em fontes confiáveis, conversa com outros especialistas, aliado à sua vivência na profissão, que continue atuando com ética e responsabilidade sabendo que muitas pessoas vão seguir seus ensinamentos e os colocarão em prática, afinal você até pode não ser um trabalhador da notícia, mas é um instrumento de informação. Tenha a ciência de que informar não é apenas transmitir dados; é um ato de responsabilidade social e defesa da democracia.
Se você é um jornalista que atua com ética e verdade, saiba que você é a essência da profissão. O compromisso vai além da realidade, é um compromisso com você mesmo e com toda a sociedade, afinal além de ser jornalista você também é um cidadão. Um futuro melhor pode ser construído a partir da forma como as informações são relatadas hoje. O discurso precisa estar alinhado com a prática. Aproveito a oportunidade para pedir aos colegas de profissão que busquem as entidades da classe para que juntos possamos debater as questões que envolvem o jornalismo atualmente e construir um futuro melhor para a nossa profissão e,consequentemente, toda a sociedade. O momento é de reflexão e união.
Comunicação - Jornalista Bruna Costa
Assessoria de Imprensa - Cleane Fontenele e Equipe Agência ACEV @agenciaacev @noticiasacev