
Copom se reúne com quórum incompleto para decidir futuro da taxa Selic
Juros seguem no maior patamar em quase duas décadas enquanto mercado aposta na manutenção da taxa básica
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para decidir se mantém ou altera a taxa básica de juros da economia brasileira. Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no nível mais alto desde 2006 e deve ser preservada, segundo analistas, apesar de sinais recentes de alívio inflacionário.
A reunião acontece com um quórum reduzido, já que os mandatos de dois diretores do Banco Central expiraram no fim de 2025. As indicações para substituição só devem ser encaminhadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro, o que limita temporariamente a composição do colegiado.
Desde setembro de 2024, a Selic passou por um ciclo de alta com sete elevações consecutivas, permanecendo inalterada nas últimas quatro reuniões. Na ata mais recente, divulgada em dezembro, o Copom indicou que a taxa deverá permanecer em nível elevado por um período prolongado, como forma de assegurar a convergência da inflação à meta.
Apesar da desaceleração da atividade econômica e da recente valorização do real, alguns fatores ainda preocupam o Banco Central. Os preços de serviços seguem pressionados, o que exige cautela na condução da política monetária. O cenário internacional também contribui para o ambiente de incerteza, reforçando a postura conservadora da autoridade monetária.
Dados recentes mostram que a inflação vem perdendo força. O IPCA-15 registrou alta moderada e a projeção para 2025, segundo o boletim Focus, recuou para 4,4%, dentro do intervalo de tolerância do novo sistema de meta contínua, que estabelece objetivo central de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Taxas elevadas encarecem o crédito, estimulam a poupança e tendem a reduzir o consumo e os investimentos. Por outro lado, uma eventual redução dos juros pode favorecer a atividade econômica, mas também aumentar a pressão inflacionária.
A decisão do Copom será divulgada no início da noite desta quarta-feira e será acompanhada de perto pelo mercado, que avalia quando poderá começar um ciclo de cortes, possivelmente a partir do segundo trimestre, caso o cenário inflacionário permita.